Anjos e Demônios

Não, esse post não é uma resenha sobre o livro de Dan Brown, ou sobre o filme homônimo. É apenas uma reflexão sobre algumas pessoas que aparecem nas nossas vidas e que fazem a diferença. Não estou falando sobre amigos ou amores, mas sobre aquele desconhecido que é capaz de salvar a sua pele, ou que estraga seu dia com uma palavra apenas.

Estive em Buenos Aires este fim de semana. O post sobre a viagem, dicas e tal, fica pra depois. Antes eu queria contar sobre o stress que é perder um voo. Não sei se alguém já passou por isso, mas é uma das coisas mais angustiantes ver o relógio andando e o seu carro parado. Só sei que quando cheguei ao aeroporto, nem adiantava correr. E se já estava ruim, fiquei impressionada com a incompetência e falta de sensibilidade dos funcionários da Gol. Naquele quinta-feira, véspera de feriado, eles foram os demônios. Cada um dizia uma coisa, qualquer coisa que nos fizesse parar de encher o saco. Ninguém assumiu responsabilidade por nada, ninguém informava nada direito. Foi o inferno.

No fundo do poço, encontramos o Fernando. Não precisaria falar mais nada sobre o Fernando, apenas que ele foi o nosso anjo. Funcionário da Emirates e amigo da minha família, foi ele quem tomou as rédeas da situação e, depois de muito esforço, muitas tentativas e da calma que nos faltava, nos levou de volta ao purgatório. Ainda não era o paraíso de Buenos Aires, mas era uma esperança.

Entre uma coisa e outra, apareceram aqueles seres que só servem para confundir, mas que não chegam a ser o demônio, propriamente dito. É aquele amigo que fala que ele bem que avisou que tínhamos que ter saído quinze horas antes, ou que seria melhor termos feito aquele outro caminho. É aquela senhora com quem, como se não bastasse todo o sufoco, a gente arranja briga na fila do Mc Donald’s. São todas aquelas pessoas que estavam ao carro ao lado do seu no congestionamento, que perderam o mesmo voo e que reclamam o direito à prioridade.

Mas nós tínhamos o Fernando, e aquelas duas passagens mágicas para o purgatório que ele nos dera. Entramos na fila antes de todo mundo. Se algum tipo de Deus ia decidir, entre todos aqueles pecadores, a quem seria dado o direito de ir ao paraíso, nós queríamos ser os primeiros, para pegá-lo de bom humor.

Deu certo. Embarcamos para um sonho de quatro dias, para o nosso paraíso. E trouxemos de volta uma garrafa de vinho para o Fernando. Será que anjo também bebe?

PS: Eu não acredito em milagres, mas depois do DutyFree, agradeço todos os dias pelo corretivo da MAC.

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A arte de comer bem

Recentemente, participei do processo seletivo de uma editora. A etapa consistia de uma prova com perguntas curiosas, algumas das quais até agora eu não entendi o objetivo. De qualquer forma, uma das questões, aquela respondida com mais rapidez, me fez pensar em algumas coisas.

A pergunta era “Do que você não abre mão?”. Bom, claro que existem muitas coisas das quais eu não abro mão. Mas a resposta saiu de imediato, automaticamente. Não abro mão de comer bem. É impressionante como almoços e jantares pautam os meus compromissos, e como eu não me incomodo de gastar dinheiro com comida. Por isso, resolvi listar alguns lugares bacanas onde estive recentemente. São opções para dias especiais, e basta a um estagiário economizar três meses de salário. (Brincadeirinha… Alguns até são mais carinhos, mas juro que vale a pena!)

Café da Manhã no P. J. Clarke’s

Nas manhãs de sábado e domingo, é uma excelente opção para quem quer comer muito num brunch que mistura as tradições do café-da-manhã brasileiro e do breakfast norte-americano. Não é barato (custa R$ 29,90 por pessoa), mas vale a pena. Dei sorte, porque fui numa manhã fria e chuvosa, então estava vazio, mas costuma ter fila de espera, por isso é bom ir cedo. Entre as opções, pãezinhos, frutas, açaí na tigela, uma geleia (#ReformaOrtográfica) de laranja deliciosa, e o brownie mais maravilhoso que eu já comi (depois do da mamãe, claro). Não poderia faltar, também, os ovos mexidos (que eu adoro usar como recheio de um pãozinho), bacon (que eu não provei), panquecas e waffles. Tudo muito muito gostoso. Para os que arriscarem ir mais tarde (o café funciona até 12h), vale até substituir o almoço.

Rua Dr. Mário Ferraz, 568, Itaim

Hitam

É um restaurantezinho delicioso que mistura arte e gastronomia, como diz na placa da entrada. Mesmo com um tempero indiano (ou tailandês, sei lá), os pratos não deixam de ter a cara do Brasil. De entrada, pedimos um bolinho de peixe com especiarias, uma delícia. No prato principal, eu, que sempre fico numa dúvida eterna e acabo escolhendo errado, acertei na mosca: lula com pupunha e amendoim ao molho shoyo cítrico. As opções de caipirinha eram de dar água na boca. A que eu escolhia tava “em falta”, era uma de tangerina com pimenta que fiquei sem saber se era tão boa quanto exótica. Acabei pedindo uma que levava lima, limão e gengibre, e adorei. Outro detalhe legal pra quem gosta de decoração é que todos os itens expostos no restaurante estão a venda.

Rua Áurea, 333, Vila Mariana

Santa Clara Batataria

Outro achado na rua Áurea. Eles servem aquela batata rösti, feita de lascas de batata recheadas. A minha preferida é quase sempre a de mix de cogumelos, mas a de mignon com cheddar também é ótima (apesar de um pouco mais pesada). A batata pequena (que de pequena não tem nada), ainda é acompanhada de uma salada. Eu sempre peço a de brie, que leva queijo brie, pera e folhas verdes, mas ainda tem a salada caprese e a mix de folhas. De quinta a domingo ainda tem música ao vivo, mas a espera é quase obrigatória.

Rua Áurea, 361, Vila Mariana

Casa na Praia

É um crime quando abre na rua da sua casa, a 100 metros do portão do seu prédio, um lugar como o Casa na Praia. No inverno não tem tanta graça, porque o lugar é todo aberto e tem cara de verão, mas eu voltei lá no sábado para assistir ao show da Alemanha sobre a Argentina. O dia estava bonito, mas tivemos que escolher uma mesa onde batesse sol, porque o vento estava gelado. Pedimos um açaí na tigela e um tostex de peito de peru, então não tinha como errar. Também já pedi um dos sanduíches frios, que chama Bonete e leva salmão defumado, cream cheese e cebolinha. Adorei, como adoro qualquer coisa que leva salmão defumado. A casquinha de siri também é ótima, mas eu pedi achando que seria um petisquinho e acabou tirando minha fome. Também já pedi uma salada de carpaccio, mas não gostei muito. Se bem que a culpa é minha: se você não gosta de agrião, não peça uma salada que leva agrião.

Rua Doutor Amâncio de Carvalho, 329, Vila Mariana

Zzi Luca

Parece que eu fico sempre na mesma região, mas é que eu moro perto de tantos restaurantes e barzinhos gostosos que não tem porque ficar indo longe. O Zzi Luca foi escolhido para o meu dia dos namorados, e a escolha foi perfeita. A casa antes era uma doceria/café que me dava a sensação de estar na Europa ou em Buenos Aires (apesar de nunca ter ido a nenhum desses lugares). Agora é um restaurante italiano bem aconchegante, romântico, uma ótima opção para os casais apaixonados… (Sorry, eles me ofereceram tanto espumante de comemoração do dia dos namorados que eu não lembro nada do que pedi).

Rua Joaquim Távora, 1296, Vila Mariana

Windhuk

A sugestão foi da @is_adorable. Quando eu contei que a gente adorava carne crua (de kibe cru a carpaccio e sashimi), ela falou do tal beef tartar, da culinária alemã. E aí, como eu experimento qualquer coisa servida num prato, lá fomos nós ao Windhuk. Pedimos o tal beef tartar e eu fiquei bem impressionada. A carne vem à mesa como um kibe cru, mas o garçom tempera, mistura, tempera mais, mistura mais e o prato vira quase uma pasta, que deve ser comida com pão. É bem gostoso, mas a páprica, a mostarda e os outros temperos deixam um gosto muito forte, e a gente não conseguiu comer tudo.

Al. Arapanés, 1400, Moema

Yucatán

Como fã de comida mexicana que sou, nós vamos sempre ao Yucatán. Eu até gosto bastante do Si Señor, mas acabo sempre optando pelo rodízio. Tacos, taquitos, burritos, nachos, quesadillas, chilli. Saio de lá achando que nunca mais vou conseguir comer nada na minha vida… Vã ilusão.

Av. Presidente Juscelino Kubitchek, 393, Itaim

Arabin

Quem me introduziu à comida árabe foi o Bruno. Ele é viciado em kibe cru, homus e afins e eu tive que me acostumar (não que eu ache ruim, né?). Lá no Arabin eles têm uma opção de combinado que é bem legal. Você escolhe o principal e mais dois acompanhamentos e sai por R$ 16,90. Eu costumo ir no charutinho de uva, com coalhada e tabule, ou kibe cru, ou homum, ou tabule… É gostoso e baratinho!

Av. Aratãs, 697, Moema

Fellow’s

É uma lanchonete tradicional, com seus cheese saladas, hamburgueres, beirutes, milkshakes e tudo mais que eu tenho direito. Mas eu não poderia esquecer o lugar onde o garçom me conhece pelo nome, né?

Rua Tutóia, 1126, Vila Mariana

Ai, chega, né? Não sou nenhuma jornalista gastronômica pra ficar dando dicas de restaurantes. Mas vale o roteirinho pra quem estiver procurando um lugar gostoso pra comer. Ou então, pra eu mesma lembrar dos lugares que eu gosto, já que minha fome é sempre maior que minha memória…

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Uma reflexão tardia sobre O Segredo dos seus Olhos

Estive pensando, hoje, em como a arte mexe com a gente de uma forma inusitada e irremediavelmente profunda. Músicas, filmes, literatura… Qualquer forma de arte tem um poder incomparável de nos fazer pensar um tema – qualquer, que seja.

Sim, o assunto é clichê, é recorrente, é óbvio ululante. Mas o fato é que já assisti a O Segredo dos seus Olhos há mais de um mês, e o filme não me sai da cabeça. As cenas, a perseguição no estádio do Racing, os diálogos, o amor guardado em segredo dentro dos olhos de cada um.

Quase tudo sobre o filme já foi dito, e temo cair na repetição. Mas acho que pecado maior seria não comentar tudo que eu senti e sinto. Começo, aqui, um post muito mais meu do que qualquer outro. São as minhas impressões, e não tento negar isso:

Achei magnífico o paralelo entre um crime e um amor, ambos buscando um desfecho simultaneamente. E como as duas histórias se envolveram, como as particularidades do crime foram determinantes para o enredo do amor.

Achei ótima a metáfora da máquina de escrever representando o amor. De como ela, mesmo enferrujada, permitiu que ele entendesse um sentimento confuso. Faltava uma letra, e aquele A mudava tudo.

Acima de tudo, achei de uma sensibilidade única a maneira como o diretor Juan José Campanella permeia um roteiro tão denso com leves toques de comédia. Nada que cause gargalhadas (embora algumas pessoas no cinema teimem em não compartilhar do bom senso e deem risdas exageradas em momentos inapropriados). Mas é a vida: apesar dos dramas, sempre há cor. E Campanella dominou a arte – o crime mais cruel não foi capaz de destruir um amor. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”

O Segredo dos seus Olhos é uma obra séria, sem ser pedante, sem exigir a masturbação mental que a maioria dos diretores acham o máximo. É uma nova perspectiva sobre a vida, sobre vingança, sobre penitências. É um filme sobre o amor, sem ser um filme de amor.

O Segredo dos seus Olhos é um filme feito por adultos e para adultos. Ricardo Darín é gente grande, mesmo, e dá um banho no papel de homem apaixonado. E um homem pode abandonar tudo, qualquer dignidade, mas nenhum homem pode abandonar suas paixões. Esta é a maior lição que o filme nos ensina.

Quando o filme acabou, me irritei com um público apressado que me obrigava a levantar para dar passagem. Ainda estava dentro da história, ainda estava tentando digerir o choque (bom e ruim) que o filme me causou. Depois que todos deixaram a sala do cinema, voltei a me sentar, e ainda fiquei alguns bons minutos tentando voltar para a dimensão do real. Chorei, sim, e muito. Durante o filme, e depois. Chorei porque o filme me fez pensar.

O Segredo dos Seus Olhos é, simplesmente, um dos filmes da minha lista. E não, isso não deve significar nada para ninguém, porque esta é apenas a minha opinião. Mas é uma opinião refletida, em mais de um mês. E deve ter alguns bons méritos o filme que consegue se mostrar presente e vivo mesmo tanto tempo depois…

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Redescobrindo o prazer pela profissão

Hoje eu tive um daqueles lampejos nos quais a gente sente, meio por intuição, que estamos no caminho certo, que todos os tropeços pelo caminho serviram para nos dar essa certeza. As aulas voltaram e, já no segundo horário do primeiro dia, senti aquele ímpeto, aquele tesão pela profissão que eu escolhi. Muito provavelmente essa animação toda é fruto de um ócio criativo prolongado, mas não deixo de me alegrar ao ver que ainda posso me sentir motivada pela carreira.

Só para contextualizar: a aula era de rádiojornalismo, e o professor, Fernando (e não Matheus, infelizmente) Solano, ficou discursando sobre as infinitas possibilidades de trabalho para os jornalistas. Acho que eu nunca tinha considerado profundamente a hipótese, mas trabalhar em uma rádio até me pareceu interessante. Claro que é exagero pensar que o mercado de trabalho é infinito. Não é. Mas acho que ninguém que tenha escolhido o jornalismo tinha essa ilusão. De qualquer forma, ele falou de como estão aparecendo novas rádios ávidas por jornalistas, e do empenho e dedicação que espera de nós, alunos, para estarmos aptos a entrar nesse jogo.

Pensei em tudo que eu fiz pela faculdade no ano passado. E, como não poderia deixar de ser, me decepcionei comigo mesma. Os trabalhos, com raras exceções, foram reciclados a partir de textos antigos (meus ou de amigos). Escolhi temas nos quais eu não tinha  que me arriscar. Se a proposta era uma reportagem descritiva, por que não falar sobre o Samba da Vela? Afinal, eu já conheço o grupo e sei que o apelo sinestésico é forte – perfeito para uma descrição detalhada de todos os sentidos despertados. Foi bem mais um trabalho literário. Não que isso não tenha valor, mas por melhor que tenha sido meu texto, não foi um trabalho jornalístico, de pesquisa, apuração, entrevista.

Hoje, durante meu horário de almoço, assisti a um episódio de Project Runaway. Os jurados criticavam um dos participantes por se arriscar muito pouco. Suas roupas eram impecáveis, mas previsíveis. O exemplo cabe perfeitamente no que estou dizendo. Nós, jornalistas, temos, sim, que dar a cara à tapa. Claro que é bom escrever sobre aquilo que gostamos e conhecemos, mas é essencial fugir do óbvio. O bom jornalismo se perde no comodismo. O bom jornalismo exige uma busca constante pelo novo,pelo questionamento, pelo curioso. Prometi a mim mesma, como prometo a cada novo ano, que dessa vez será diferente. Espero que minhas previsões mais pessimistas (ou realistas?) estejam erradas,  e eu realmente consiga me dedicar mais. Espero ser surpreendida pela minha própria postura. Nós, como jornalistas, temos que  manter a capacidade de sermos surpreendidos.

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Alô, alô, testando…

O início de um blog é sempre igual: gasta-se mais tempo escolhendo uma template, pensando num nome, selecionando fontes e fotos do que, de fato, escrevendo. O tópico para o primeiro texto costuma ser uma breve apresentação, uma enumeração de motivos que justifiquem a singularidade ou a importância do blog.

Meu blog não é original, nem imperdível, e não almeja tratar dos assuntos mais abordados na mídia. É um blog simples, sem grandes pretensões. Quero apenas tratar do que me agrada, do que me surpreende, do que me entusiasma, do que me entristece. Quem quiser ler, seja muito benvindo.

Por enquanto, me despeço por aqui, nessas poucas linhas. A felicidade já me consome tempo demais…

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